
Depois de muito tempo desabitada; depois de tanto tempo habitada por tantas famílias, a chuva, o sol, o vento deixaram-na em ruínas.
É bem verdade que muitas histórias ali aconteceram, muitos bons momentos de amor, amizade, companheirismo, bem como, tristezas, brigas, verdadeiros massacres aconteceram naquela simpática residência.
O lar tem várias funções, proteger do sol em dias quentes, proteger da chuva em dias frios, serve como refúgio para nosso problemas, serve como repouso para nossas fadigas; mas aquela casa, aquela pequena porém agradável casa tinha algo diferente, algo que nenhuma outra casa possuía.
A velha casa, hoje abandonada, se diferenciava das outras por um único motivo, ela de alguma forma mistica talvez conseguia sugar a energia ruim das pessoas que ali estavam e lhe davam outras puras e renovadas energias.
Nunca tinha parado para entender como é que depois de coisas horrendas que aconteciam ali, logo tudo voltava ao estado normal, parecia inabalável a energia que a pequena e calorosa casa transmitia. Acontece que nada é de graça na vida, e não estou aqui a falar de pecúnia, falo do preço que pegamos sempre que fazemos algo, é como o velho dito onde não se faz nada para os outros, bem ou mal, fazemos para nós mesmos.
Vamos abrir um breve parentese para explicar melhor esse dito (quando fazemos um pequeno gesto de caridade, de amor, de amizade, muito embora achemos que estamos fazendo para o outro, nós estamos emitindo boas energias e fazendo com isso que o espelho do mundo reflita-as para dentro de nós. Diferente não é quando fazemos coisas ruins, por exemplo, quando traímos a confiança de alguem amado, ora, é claro que o outro vai sofrer por te-la traído, entretanto, somos nós mesmos que estamos nos traindo, afinal traímos nosso foro intimo, traímos nossa honra, aquela honra que só nós mesmo podemos mensurar)
Pois bem, por ser esse imã poderosíssimo a casa acabou atraindo muitas energias boas e ruins, as boas ela devolvia para os transeuntes que ali moravam e sugava as ruins em troca sem nunca tê-las colocado para fora – seu pior erro.
O tempo passa e nem mesmo os mais fortes pilares da pequena casa conseguem suportar tanta energia ruim, tanto peso dos outros, foi quando começou a ruir. Era difícil imaginar como uma casa tão bela apesar de pequena poderia começar a apresentar falhas estruturais tão inconsertáveis, janelas começavam a cair e algumas nem mais abriam, rachaduras ameaçavam o teto, o piso era devorado pelos cupins, ninguém mais queria ali morar, ninguém poderia.
A pobre e burra casa começou a pagar seu preço por ter sido tão boa para os outros esperando algo em troca, não se preocupava ela em fazer de coração, queria fazer o bem em troca de uma nova pintura de um novo piso, quem sabe até um portão.
Mas, não se pode julga-la afinal teria sido da mesma forma se não tivesse feito com interesse, apenas sentiríamos pena dela por ter sido vítima do maior mal que nós seres Umanos carregamos em nosso âmago, a ingratidão, não absoluta mas predominante em nossas vidas.
Fellipe Campos (Rabiscos de uma escrivania)
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